Emoções

Quando o Vinícius tinha quatro aninhos, nós passamos um dia inteiro num parque de diversões – emoções – comemorando os aniversários dos filhos de uns amigos queridos e num determinado momento da festa eu cantei para o meu filhote uma música enquanto ele pulava lépido e maravilhoso em um pula-pula que se transformou em um verdadeiro santuário.

No dia seguinte, pela manhã ele fez uma das mais belas declarações sobre aquele momento:

– Papai, quando o Senhor cantou a música “Eu tenho tanto pra lhe falar” eu fiquei pulando e com vontade chorar.

A emoção daquele coraçãozinho fez tremer o meu peito. Lindo demais!

Sabe o que acho de melhor nos humanos? Respondo de pronto: A emoção, sim, a emoção. No resto, nós humanos somos muito chatos.

Saibam sempre meus caros, a emoção de quem vence pode enobrecer o que há de tosco no vencer e a emoção de quem perde pode embelezar as tolices que alimentamos com a derrota.

Todos nós perdemos e ganhamos várias vezes na vida, mas a emoção de quem transcende ao perder e ao vencer é sempre linda e grandiosa.

Tudo o que é desapegado e quase incondicional é infinitamente mais belo, principalmente o se emocionar.

Mas a emoção, toda ela, é linda, é divina, até porque Deus é emoção. O diabo, o mal, os psicopatas e os mortos não se emocionam.

Você verá sempre que a emoção começa no agora, no hoje, no dia das salvações. Pois a história se escreve por aqueles que sabem sempre sorrir quando o mundo diz não. Isso é uma arte, uma arte dos sábios da emoção.

Por isso desejamos amar a todos que cruzam o nosso caminho ou jornada, eis aí a simples e possível felicidade.

Esperamos emoções humanas na jornada da vida, emoção das pessoas, dos humanos, dos diferentes, dos díspares, dos grandes pequenos.

Então chore, chores mais.

Na emoção há tantas lembranças e ressonâncias dos amigos presos, das estrelas distantes e de qualquer coisa de papel.

Algumas recordações devidamente choradas nós devemos deixa-las para trás, é bom também se esquecer – com moderada comoção – de algumas coisas que para trás ficaram.

Então, chore, chore mais novos choros.

Eis a lição dos tropicalistas e doces bárbaros baianos Gil e Betania que me fazem pensar quão libertadora é a emoção.

Em tempos de dor eu insisti comigo que se Deus quisesse, tudo, tudo, tudo daria pé, pois acreditei que sempre daria abacate. Então, digam ao forte abacateiro que o abacate sempre virá e com o abacate em refazenda aprenderemos os refazeres e ressignificações necessários para seguirmos em frente.

Nós que sabemos ser do mato e do húmus e parceiros de novas safras e frutos bendizemos as emoções: Benditos sorrisos e lágrimas! Bendita emoção dos humanos!

Como diz Neruda: “Santificada seja a emoção tão simples de hoje”.

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