Filhos da urgência

“Antes, a questão era descobrir se a vida precisava ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.”

[ Albert Camus ]

 

Somos filhos da urgência ou da importância? Certamente que podemos ser filhos disso ou daquilo, mas o que de fato interessa é se somos ou não amamentados, criados e ensinados pela mamãe importância ou pela mamãe urgência.

Percebo a cada dia o quanto eu investi o meu tempo e atenção a coisas absolutamente desnecessárias e eu entendo bem o que Mao TSE Tung queria ensinar quando dizia que o urgente geralmente é um atentado contra o necessário.

Tenho experiências amargas que me deixaram cicatrizes indeléveis, pois me vi fora de ponto e distante da realidade quando comecei a acreditar e aceitar que tudo era “pra ontem”. Foi então que eu não consegui mais discernir o que é era real e verdadeiramente necessário. E no mundo do irreal e do desnecessário não há espaço possível para o importante.

Os filhos da urgência desperdiçam a existência fazendo do ter a sua incansável meta e do fazer a sua fuga e entorpecente. Esse jeito de ter e fazer nunca revelará o verdadeiro ser que somos e nos tornará vítimas do cronômetro.

Henry Nouwen diz que para algumas pessoas o cronometro pode tornar-se uma cronomania, uma obsessão, especialmente se tudo o que somos depender do relógio que continua a bater, quer estejamos acordados ou não.

Stephen Covey sugere três perguntas interessantes que eu reproduzo aqui: Qual é a atividade que você sabe que, se desempenhasse com a necessária seriedade e continuidade, produziria resultados positivos para a sua vida pessoal? Qual é a atividade que você sabe que, se desempenhasse com a necessária seriedade e continuidade, produziria resultados positivos para a sua vida profissional? Se você sabe que essas coisas produziriam resultados tão significativos, por que não as está fazendo agora?

Certamente que uma vida pessoal e profissional possuída pelo egoísmo e o individualismo é uma vida sem muita importância. Esse viver mesquinho pode até trazer resultados, mas o resultado não partilhado a cada dia que passa não significa muita coisa ou quase nada.

Resultados, até os filhos da urgência conseguem, agora, resultados significativos onde todos tenham espaço no mesmo céu sem precisar transformar a nossa e a vida dos outros num inferno, bem, isso só se formos filhos da – outra – mãe.

 

 

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