A Eleição das Ostras

 

Ostra feliz não faz pérolas” Rubem Alves

Há campanhas, candidatos, eleitores e mandatos nocivos a cidadania e essas pessoas merecem o ostracismo da história.

Conta-se que nos tempos do governo de Clístenes o ostracismo era a suspensão dos direitos políticos do cidadão considerado lesivo ao Estado.

Era convocada uma Assembléia com mais de 6000 participantes para a votação onde as cédulas eram pedaços de cerâmica em forma de ostra, nos quais eram escritos os nomes dos acusados. O cidadão que tivesse seu nome escrito mais de 6000 vezes no ostrakon era considerado culpado e exilado por dez anos.

Às vezes confundindo impeachment com golpeachment, em nossa democracia tão recente, alguns eleitores lutam para encontrar políticos que nunca mereçam passar pela votação das ostras.

Aliás, o ostracismo não era e nem deve ser prerrogativa somente dos políticos e dos candidatos, mas também de eleitores que fazem parte do esquema danoso que destrói cidadanias e cidades.

E por falar em eleitores, é só disputar uma campanha política para se perceber que a ingenuidade e a integridade passam muito longe da maioria dos votantes e que a mentira e o cinismo são as principais características de muitos dos chamados eleitores.

Engana-se quem pensa que as falsas promessas sejam prerrogativas somente de alguns candidatos.

Vivemos em tempos onde aqueles que se uniam por afinidades ideológicas e programáticas optaram por cerrar fileiras visando única e exclusivamente os seus projetos de poder.

Em tempos assim, não devemos jogar as pérolas dos nossos votos aos porcos que sempre existirão para se aproveitar da coisa pública em benefício próprio.

Outro dia enquanto tomava café em uma padaria eu ouvi a conversa entre o garçom e um jovem de aproximadamente uns 20 anos.

O homem perguntou ao jovem em quem ele iria votar e o rapaz disse que iria votar no melhor candidato de todos, e com ironia emendou: “Vou votar no Dr. NINGUÉM, ele é o melhor de todos.”

Eu não pude resistir e pedi licença e entrei na conversa dizendo ao jovem que aquele que vota em ninguém faz com que alguém que não tem compromisso com ninguém seja eleito. O rapaz pediu que eu repetisse e depois, meio sem graça, começou a tentar corrigir o que tinha dito.

Diante de pesadelos como esses só nos resta sonhar.

Sonho com o dia em que não daremos mais ouvidos àqueles que incentivam o analfabetismo político.

Sonho com o dia em que não votaremos em pessoas somente porque elas são parentes, conhecidas, vizinhos, da mesma religião, empresa, escola ou torcida.

Sonho com o dia em que não votaremos em pessoas que nos são impostas por qualquer um que exerça autoridade sobre nós.

Sonho com o dia em que votaremos em pessoas que tem história de luta pelo bem comum, que estejam preparados para os cargos que pretendem ocupar e que ajudem a construir uma nova cultura política em nossas cidades, regiões e país.

Você caro leitor, pode até pensar: “Vai sonhando pastor vai se iludindo….”

Mesmo assim eu prefiro viver sonhando a ser o mais votado para viver no ostracismo.

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