O CAVALO, o PASTOR e os PORCOS-HOMENS

 

Sempre admirei o Cavalo Sansão da obra de George Orwell a Revolução dos Bichos.

Hoje eu vejo que nos últimos anos eu agi como um Cavalo idealista e não economizei coices por causa dos ideais das Fazendas das Igualdades que eu incansavelmente trabalhei.

Alguns dos meus familiares e amigos têm as marcas das minhas ferraduras até hoje. Entendam bem, não vem ao caso dizer quem estava certo ou não, mas sim o fato de que eu tenho certeza e tristeza em confessar que eu errei pela agressividade com a qual eu defendi as minhas convicções.

Sansão, o cavalo idealista da fábula de Orwell, se expôs, desgastou, adoeceu e foi sacrificado pelo que acreditou. Um inocente – para não dizer idiota – útil que foi usado sem escrúpulo algum até depois de sua morte.

Conversando com um amigo sobre essa fábula, ele disse em tom de confissão que se identificava mais com o Burro Benjamim, aquele que preferiu o silencio e no final da história – e sem êxito algum – resolve denunciar o que estavam fazendo com Sansão.

Nesse mundo em que vivo eu não sou digno de ser comparado com o nobre Sansão, pois eu sempre convivi com muitos porcos e homens que sempre terminavam muito parecidos uns com os outros.

Procure ler o livro A Revolução dos Bichos, trata-se muito mais do que uma crítica à Revolução Russa, penso que é uma excelente alegoria de como a grande maioria dos – ou todos – grupos humanos reagem para conquistar o poder e se manter nele.

Acredito que isso valha para todo ajuntamento humano e admito a minha dificuldade em crer de que isso um dia possa mudar

Há anos eu tive momentos maravilhosos com a minha sobrinha enquanto conversávamos sobre a Revolução Francesa e os ideais republicanos e democráticos. Ela parecia mais animada que eu à medida que pensávamos um pouco sobre filosofia política, compreensão da Liberdade e dos Direitos, sociedade justa e igualitária, o bem comum….

Confesso que uma tristeza me abateu enquanto eu olhava e sentia aquela menina ávida tirando as suas próprias conclusões.

Enquanto eu tentava disfarçar um cansaço perigoso ela me disse: É tio, como disse o Galeano, lembra? “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Eu Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar“.

Foi como se eu tivesse recebido uma recarga em minhas baterias e com o peito orgulhoso de tio eu segurei as lágrimas.

Aquela menina, sem perceber, me empurrou mais uma vez para a Jornada que um dia eu decidi trilhar seguindo um revolucionário que não pode ser confundido com aqueles que o Major e Bola de Neve representam.

 

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