Um Sinfonia para tempos medíocres

 

A mais popular das peças de Beethoven é a que mais me encanta e emociona, não só pelas condições como foi composta, mas principalmente pela mensagem pujante e encorajadora que imprime.

Falo da trilha musical dos protagonistas anônimos, do hino da alma de todos os olhares e saberes que não aceitam tiranias, a Nona Sinfonia. Uma verdadeira profissão de fé das mentes de ideais livres que não aceitam os absolutismos e as truculências dos déspotas tendo como a mais digna ação cidadã a construção coletiva do bem comum.

É um canto alegre, vivaz e celebrante que traz um dos mais belos poemas de exaltação aos valores do iluminismo, a Ode de Friedrich von Schiller.

Oh amigos mudemos de tom! Entoemos algo mais prazeroso e mais alegre!

Apesar de ter o seu coração deprimido pela deficiência e o desencantamento com Napoleão, a alegria que Beethoven finalmente encontrara é revelada nesse grande hino dedicado à humanidade. Uma alegria libertária e condutora jubilosa das pessoas que aspiram por um porvir de equidades.

Se expressem irmãos em seus caminhos. Alegremente como herói diante da vitória.”

A alegria contagiante da obra-prima de Beethoven dá o tom à marcha daqueles que seguem na jornada das resistências sabendo que a construção de legados coloca em segundo plano todo pragmatismo cru e relativismo irresponsável.

Beethoven tinha consciência de sua responsabilidade política e, por que não dizer, revolucionária.

O gênio que disse também ser Rei diante de um soberano compõe o cântico retumbante e heroico de todos os reis e heróis do povo. Não há espaço para mediocridades, a emancipação das nações é uma bandeira a ser fincada no topo mundo.

Abraços aos milhões de seres! Beijos ao mundo inteiro!”

Preciso dos sons da Opus 125 para que o meu coração não fique empedernido com o nanismo de ideais dos que não querem se envolver e ficar “de boa” diante do caos que respinga em nossas almas todos os dias.

Quero continuar ouvindo esta alegre convocação ao lado de alguns poucos que ainda creem ser possível reinventar revoluções coletivamente. Pessoas que saibam que o herói não é necessariamente o que ganha sempre, mas sim o que sempre luta, segue, canta e espera. Uma espera operosa, corajosa e alegre que faísque nos olhos dessa gente contagiante que tem no contraditório a grande ferramenta da convicção e na fraternidade o movimento prestíssimo onde o gran finali nunca acontecerá sem que todos os sons e tons sejam reconhecidos, respeitados e aplaudidos.

 

 

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