Xô Patrulha!

 

Considerando a insurgência das patrulhas grotescas que usurparam o nosso verde e amarelo, eu iria sugerir burcas, mas resolvi correr outros riscos e sugiro capuzes a vocês que votam no PT, aconselho um bom capuz pra você também Chico Buarque, Suplicy e políticos do PT, só do PT, é claro, um partido que – diga-se de passagem e com destaque – errou muito, muito mesmo e ainda me deixa com muita raiva, mas muita raiva mesmo, principalmente por também contribuir com essa loucura que me faz comprar capuz e enfrentar patrulhas nazis.

Mas o capuz pode ser uma saída a todos que mesmo de longe lembram o PT e a esquerda. Sim, vocês que gostam de história, sociologia, economia, pedagogia e direito; vocês que defendem os direitos humanos, o direito dos índios; vocês que são contra a intolerância, o racismo, a xenofobia, o machismo, a redução da maioridade penal, o desmatamento; vocês que abominam o capitalismo sem fazer vistas grossas aos anacronismos e fracassos do socialismo e ainda preferem Neruda, Gabo, Paulo Freire, Frida Kahlo, Camila Vallejo, Rosa Luxemburgo, Cora Coralina, Rachel de Queiroz, Rosa Parks, Dandara dos Palmares e Maria Bonita. Se eu fosse vocês eu compraria um denso véu para poder exercer livremente o seu direito constitucional de ir e vir.

Cuidado, mas muito cuidado mesmo para viver daqui pra frente, ano que vem então.., ano de eleição.., hum…, será um Deus nos acuda, os patrulheiros perderam a vergonha e estão por toda a parte.

A turma medrosa do deixa disso – eles pediram para não se identificar – vive me dizendo: Procure se esconder, evite dar a sua opinião, principalmente se ela destoar do ódio, marchas e panelaços seletivos do senso comum dos parciais. Evite o confronto com esses patrulheiros de plantão, alguns deles realmente acreditam insanamente que fazem parte de uma cruzada santa em defesa de deus, da família e da pátria. E aos sussurros olhando frenéticamente de um lado para outro, arremata: Essa gente é doida. São sim, tudo doido.

Então, o que fazer diante deles?

Evitaremos igrejas, restaurantes, sorveterias, livrarias, praças, vias públicas, aeroportos e elevadores. Ficaremos reclusos, quem sabe presos, sim, fique preso ou “teje preso”, pois quem defende – ou não ataca ou não agride essa corja – também deve ser bandido ou ser de alguma forma beneficiado por ele, concluem os arautos da limpeza nacional.

Eles falarão do seu Iphone 6, dos seus carrões, dos seus apartamentos em Paris, não perdoarão nem o seu caviarzinho. ( Outro argumento muito comum entre os patrulheiros. )

Não satisfeitos, vasculharão os seus porões, procurarão os seus defeitos ou alguns dos seus desafetos – algo fácil de não achar para quem não goza da benção do anonimato – e darão publicidade aos quatro ventos tentando justificar que tudo o que vem de você não presta ou que você não tem direito algum de existir, pensar e ter convicções que não convirjam para o ethos da moral, ética, ideologia e/ou politica dos patrulheiros “do bem”, todos virgens vestais desse mar de lama chamado Brazel. Alguns só recuarão com uma boa interpelação ou ação judicial.

Eles estão bem próximos de nós e não escondem mais o ódio e o desprezo no olhar, na postura corporal, no linguajar agressivo, nas piadinhas e provocações cheias de péssimas intenções. Se acham no direito de dizer que bandido bom é bandido morto, de afirmar que mulher que usa roupa insinuante merece ser estuprada, de pedir a volta da ditadura militar e dizer que a ditadura errou quando torturou e não matou quem torturou. Um verdadeiro reavivamento da Ku Klux Klan tupiniquim.

Em meio a artilharia pesada, não podemos abrir mão do nosso direito de ser quem somos e pensar e acreditar livremente no que desejarmos pensar e crer, lutando sempre para que isso seja verdade até para quem pensa diferente de nós. Se não resistirmos à Patrulha do Cala-a-Boca, o maligno, o mal e a maldade vencerão e como ensinou o sábio, sem profecia o povo perderá o freio.

( Aproveito para confessar que de vez em quando – agora com menor frequência – eu atravesso a tênue linha entre a profecia e a vigilância e o revide e provocação irônica. Sou um miserável pecador que só por hoje tenta se corrigir em mais esse pecado. Minha culpa, minha máxima culpa e que Deus tenha misericórdia desse corrigível pecador que não é de ferro.)

Mas o pior que pode ser feito por esses patrulheiros do ódio tem sido experimentado em nossos relacionamentos fraternos, o veneno deles contaminou e continua contaminando tudo ou quase tudo em nossas famílias e comunidades.

Eu comecei 2015 agonizando ao veneno de alguns patrulheiros covardes que se escondem no jardim onde eu andava descalço. Deus me ensinou a fazer soro antiofídico com todo aquele veneno injetado em mim e hoje eu elaboro melhor essa convivência perigosa, evitando uma toca aqui, desviando de um bote acolá e ficando mais atento por onde piso.

O capuz, embora seguro para se transitar entre os súditos da Intolerolândia, nunca me coube e nunca ornou comigo. Sob a proteção de Deus eu seguirei enfrentando as patrulhas com a minha veia profética e continuarei doando o meu sangue antidoto para curar os que foram envenenados.

Suplico ao Senhor que eu não recue e nem me desvie do caminho, que eu vá na jornada com o meu rosto descoberto, refletindo a glória que vem do meu Senhor, uma glória que vai ficando cada vez mais brilhante e que me torna cada vez mais parecido com Jesus de Nazaré.

 

 

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