2015 dos Evangélicos

POR VINICIUS LIMA

 

Cresci no que as pessoas da igreja chamam de “berço evangélico”, mas desde criança meus amigos e amigas não eram, em sua maioria, “crentes”.
Hoje não é diferente, convivo muito mais com pessoas de outras crenças do que com aquelas que partilham a mesma que a minha. Vejo muito mais pessoas não evangélicas tentando iluminar o mundo e dar gosto para vida das pessoas do que aqueles que se dizem seguidores de Jesus de Nazaré.
Enquanto isso, em 2015, vi os evangélicos muito mais preocupados em fazer evangélicos pela força e com discurso de ódio e intolerância, do que em realizar o sonho de Deus (não é a mesma coisa). Gosto muito de uma entrevista do Leonardo Boff em que ele diz, “Nosso desafio não é o de criar cristãos, mas de criar pessoas honestas, humanas, solidárias, compassivas, respeitosas da natureza dos outros. Se conseguirmos isso é o sonho de Jesus realizado”.
Esse ano fiquei bastante afastado da minha comunidade de fé, da Igreja Batista da Água Branca. Mas o que me manteve próximo da mensagem que eu acredito e minha fé ativa foi conviver mais intimamente com quem acredita na mesma verdade, tenta seguir o mesmo caminho e viver a mesma vida que eu.
2015 foi um ano que serviu para deixar claro que qualquer generalização é burra e preconceituosa (ou machucada), tanto a que vem de dentro da Igreja Evangélica com que é de fora, quanto o contrário.
Aproveito então o fim do ano e a festa do Natal para listar 15 momentos no ano em que os evangélicos envergonharam o evangelho, que é uma mensagem clara e simples de amor, perdão, respeito e simplicidade.

1) Menina candomblecista de 11 anos é apedrejada por evangélico. (Acho que Jesus disse alguma coisa sobre apedrejar as pessoas).
2) Uma mulher transexual numa cruz incomodar mais os evangélicos do que jovens fuzilados na mão do Estado diariamente nas favelas.
3) A mesma transexual, Vivianny Beleboni, ser esfaqueada dias depois da parada LGBTT por evangélicos.
4) Beijo entre pessoas do mesmo sexo na televisão incomodar mais os evangélicos que o número de mulheres que morrem por aborto diariamente.
5) Eduardo Cunha (evangélico) ter oito carros de luxo no nome de Jesus.com.
6) Uma bancada evangélica extremamente homofóbica querer criminalizar “cristofobia” (babacofobia).
7) O Cunha querer proibir a pílula do dia seguinte e dar pitáco decidir pelas mulheres o que elas fazem com o corpo delas.
8) Uma marcha chamada “Marcha pra Jesus” conter discursos de ódio e pedidos da volta da ditadura.
9) A Universal mobilizar jovens numa postura quase que neonazista para um exército chamado “Gladiadores do Altar”.
10) O túmulo do Chico Xavier ser vandalizado por evangélicos.
11) Um médium ser encontrado morto numa cama após ser vítima de intolerância religiosa.
12) Amigos evangélicos compartilhando o vídeo da Fabíola achando a coisa mais engraçada do mundo.
13) A Igreja Evangélica apoiar fortemente nomes de governos como o de Geraldo Alckmin e Beto Richa e se dizer a favor da vida.
14) Amigos da minha comunidade de fé compartilhando posts do fã clube nazifascista “Bolsonaro Mito” e “Amigos da ROTA” acreditando que bandido bom é bandido morto.
15) Silas Malafaia convocando um boicote à Boticário após um beijo gay no comercial.
Aborto, redução da maioridade penal, descriminalização das drogas, mandar refugiados de volta para casa ou “curar” a população LGBTT (tem que curar o Feliciano, isso sim), nada disso estava na pauta de Jesus. Listei 15 exemplos deste ano do que não é um evangélico e de como não seguir Jesus de Nazaré.
Agora, quero citar 15 pessoas que tive o prazer de conhecer e caminhar em 2015 e que eu vejo neles como ser um seguidor do Nazareno que morreu na cruz como um preso político: Analzira Nascimento, Levi C. Araújo, Ricardo Scalco, Joao Carlos Batista, Douglas Sciola, Ronilso Pacheco, Isabella Rezende, Donildes Lima (minha avó), Fernanda (Thiago) e Vitor Kivitz, Joabe Santos, Marina Vancini, Victoria Gama, Vinícios Debs (Maria Fernanda Rodrigues), Larissa Scarpini e muitos outros que aqui não foram citados. São homens e mulheres que me abençoaram muito, com ou sem intenção de fazer isso, e que tentam diariamente carregar a sua cruz e lutar contra qualquer tipo de injustiça com amor e fé para realizar o sonho de Cristo.


Vinicius Lima, é o criador da página SP invisível.

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