Do confronto ao diálogo Uma palavra da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil IECLB

As comunidades da IECLB anunciam e vivenciam em 2016 que, Pela graça de Deus, [somos] livres para cuidar. E queremos exercitar esse cuidado, tendo como critério a orientação do profeta Amós: Buscai o bem e não o mal (Amós 5.14a). Acreditamos que o convite feito às comunidades da IECLB pode ser um convite também para o povo brasileiro em geral diante do que se passa em nosso país hoje, cujos desdobramentos são imprevisíveis e perigosos.

O Brasil conquistou a democracia a duras penas. Um dos componentes imprescindíveis para que a democracia cresça e floresça chama-se diálogo. Diá logos: por meio da palavra; através da palavra. Diálogo é a interação entre pessoas através da palavra. Porém, acompanhando as notícias em nosso país hoje, fica-se com a nítida impressão de que estamos desaprendendo a dialogar. Há um clima de crescente tensão. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas? Cansamo-nos da bendita oportunidade de viver a democracia que se constrói com diálogo?

Do ponto de vista cristão, há o que aprender quando o diálogo é substituído pelo confronto e até pela negação da outra pessoa. Do conflito à comunhão, um documento que avalia numa postura autocrítica a Reforma (1517), contém um parágrafo que pode jogar uma luz sobre o atual momento brasileiro:

“No século XVI, católicos e luteranos frequentemente não apenas entenderam mal, mas também exageraram e caricaturizaram seus oponentes para expô-los ao ridículo. Repetidas vezes violaram o oitavo mandamento que proíbe levantar falso testemunho contra seu próximo. Mas mesmo quando os oponentes eventualmente fossem corretos um com o outro, sua disposição de ouvir o outro e levar a sério suas questões era insuficiente. Os controversos queriam refutar e vencer seus oponentes, muitas vezes exagerando de modo deliberado os conflitos, ao invés de buscar soluções a partir de um olhar do que tinham em comum. Preconceitos e mal-entendidos tiveram um grande papel na caracterização da outra parte. Formaram-se assim oposições que foram passadas à geração seguinte” (parágrafo 233).

A democracia, a política, a cidadania, a palavra como meio – é o que dispomos para, como gente cidadã, buscar o bem e não o mal. Afinal, a democracia não está à venda! É nossa convicção de que somos livres, por graça divina, para cuidar bem desse bem!

Do confronto ao diálogo – respeitoso, persistente, atento – para deixar que o bem cresça e floresça,

Fraternalmente,

Nestor Paulo Friedrich
Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

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