Unidade

 

Em dias de polarizações e ódios, o simples fato de existir pode ser usado contra você, imagine o que pode acontecer se um posicionamento seu não acompanhar o daqueles que se ofendem pelo fato de você cometer o absurdo de não pensar como eles. Eu sei bem o que acontece, sei bem.

A minha obediência a Jesus de Nazaré, compreensão das escrituras sagradas, história de vida e visão de mundo não me autorizam ficar sem me posicionar diante da vida como ela é e do que acontece em meu país.

A minha ultima – e profética – imagem de Dom Robinson de Barros Cavalcanti foi quando ele estava prestes a descer uma escada e, repentinamente, se volta para um amigo precioso que eu tenho e diz: “ Formador de opinião tem que dar opinião”. Sim, formador de opinião até quando se cala dá opinião, das mais alienantes às mais posicionadas, mas sempre dará uma opinião.

Com tristeza eu concluí há anos que as pessoas que nos marcam com um ferrete em brasas de um rótulo qualquer, não descansarão enquanto não manterem você mudo, censurado e bem longe deles nas senzalas ou num exílio qualquer.

Diante desse quadro maligno, eu clamo para que Deus me livre de uma resignação que ofenda a minha dignidade e o meu direito de ser, ter, fazer, pensar, crer – ou não crer – ir e vir como eu quiser.

Eu tenho inclusive o direito de ficar em silencio, só que no meu caso, o meu raríssimo silencio sempre será uma retumbante palavra de ordem e isso também é uma agressão aos habitantes dos polos da ira. Não há o que se possa fazer ou deixar de fazer que me livre do veneno dessas áspides histéricas, não há o que eu diga ou escreva que eles não encontrem uma insinuação ou tendenciosidade para me acusar. Eu não me iludo, não espero nada diferente de alguns que são contrários à missão integral, não imaginaria outra reação de alguns conservadores e fundamentalistas intolerantes que não se conformam com a minha visão do evangelho e das escrituras.

Para estes, não adianta afirmar que eu sempre condenei veementemente toda – insisto no toda – a corrupção e impunidade; para estes, eu sou tendencioso até quando defendo o Estado Democrático de Direito; para estes, eu defendo investigados de crimes quando clamo pela Paz; para estes, eu cometo sacrilégio e traição à pátria se eu afirmo que ninguém dos poderes executivo, legislativo e judiciário – ninguém mesmo – está acima da lei. Sinto muito, eu já sigo um Messias e Justo Juiz, nunca precisei de outro, nem do messias-presidente-ministro-ex-ministro.

Mas eu custo a crer que pessoas lúcidas e equilibradas não consigam conviver com as diferenças respeitando os que pensam diferente, eu me recuso a crer que os seguidores de Jesus de Nazaré que cantam a “Unidade e Diversidade” do Kerr achem mesmo que o “era só um o coração” seja uma exaltação à unanimidade obtusa. Não posso crer.., não posso crer…

Sei que alguns continuarão com os ferretes em brasas tentando me torturar, mesmo assim, eu continuarei insistindo com os demais bem intencionados e honestos intelectualmente para que retomemos a serenidade, busquemos juntos a Paz na cidade e lutemos pela unidade do Corpo de Cristo. Mas por favor, jamais confundam essa unidade em Cristo com as uniformidades acachapantes propostas pelo espirito do anticristo.

Em nome da Unidade, reverencie a diferença e a diversidade do Corpo de Cristo.

Em nome da Unidade, sempre que for necessário prefira ter paz do que ter razão.

 

 

 

 

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