O melhor fazer

TEMPOS MODERNOS - FIM

 

Entregue o seu caminho ao Senhor, confia nele e ele tudo o fará.

Os hindus ensinam que é mister distinguir entre a ação obrigada, a ação ilícita e a inação. Sábio é quem vê a inação na ação e a ação na inação e em harmonia permanece enquanto executa toda a ação.

Embora o Rei Salomão em seu fastio afirme que tudo o que se faz debaixo do sol é vaidade e um patético correr atrás do vento, não há nada mais inteligente, indispensável e ao mesmo tempo traiçoeiro do que o agir, o fazer, o praticar.

O nosso fazer – certo ou errado –  pode revelar ou tentar ocultar as verdadeiras intenções e motivações do coração. As ações interpretam os pensamentos e revelam a nossa essência até mesmo quando fazemos o bem sem que os outros vejam.

Sartre diz que ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação.

Penso que toda a obsessão é doentia e a obsessão pelo autoconhecimento pode ser desesperador, mas o abandono da autopercepção pode perpetuar uma existência impostora, uma mentira insuportável.

Assim construímos um jeito de viver marcado por exaustivos planejamentos e rígidas performances com as terríveis dores e culpas advindas daquilo que sai do script da encenação em que transformamos a nossa existência.

– Será que conseguimos viver sem encenar? Perguntaria quem vive se auto-justificando para seguir em paz o seu desvario teatral.

Óbvio que não se vive completamente sem máscaras e que pessoas totalmente bem resolvidas – se elas realmente existirem – são extremamente chatas e de difícil convivência.

Mas há quem seja tolo o suficiente para questionar a recomendação das sabedorias milenares sobre o autoconhecimento, definitivamente esse não é o meu caso.

Conhecer a mim mesmo e me reconciliar com a minha história pessoal é a única chance que eu tenho de superação. O autoconhecimento é a prática que lança luz sobre todas as nossas outras práticas.

Chegará um momento na vida que as trevas preferidas não conseguirão mais esconder as nossas más ações, haverá o dia em que a nossa alma gritará por luz reveladora sobre o nosso ser e fazer.

Então, finalmente perceberemos o quanto o nosso fazer está impregnado de apegos possessivos, paixões escravizadoras, prazeres distorcidos e conquistas egoístas.

O abandono em Deus como devoção diária pode nos libertar de nós mesmos e das coisas que nos apegamos. Abandonar-se em Deus para desapegar de si, das pessoas e coisas que nos mantem equilibrados em vaidades é a única salvação para esses seres tão infelizmente ensimesmados e umbigólatras que nos transformamos.

Passamos a vida lutando e desenvolvendo estratégias para manter o equilíbrio, as coisas e as posições que conquistamos e qualquer ideia do que possa significar as palavras desiquilíbrio e desamparo – mesmo que seja em Deus – é pavoroso.

Mas nós podemos ser pessoas melhores.

Entregue o seu caminho ao Senhor, entre nessa estrada sem volta e lá se abandone, largando as tralhas e pesos desnecessários. Desapegue-se de tudo, até da velha mochila, arrume outra para guardar somente o necessário nessa jornada de autopercepção.

Passo a passo e só por hoje vou caminhando e resignificando o meu fazer, desapegando-me de todo o ter que impede a leveza desse novo ser que anseia por se parecer mais e mais com Jesus de Nazaré.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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