Eu só queria engraxar os meus sapatos

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“Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas”

Romanos 10:15c – TB10

 

Segundona eu acordei pensando na aparência dos meus sapatos, eu demoro para engraxa-los. Não devia, pois os meus melhores sapatos eu ganhei de um amigo que sempre cuidou muito bem deles.

Fiquei encafifado com essa exigência que me acometeu logo ao acordar: Levi, você precisa engraxar os seus sapatos.

Durante o dia em que andei comigo mesmo eu me percebi acompanhado, Ele estava comigo. Foi um dia muito especial, voltei ao Conjunto Nacional, tomei um cafezinho sem pressa na livraria, comprei os meus Morin que me surrupiaram e enquanto estava no carro eu fui surpreendido por epifanias enquanto ouvia em lágrimas o Guilherme Kerr em seu “Te vejo Poeta”, especialmente em um novo arranjo de uma velha musica que ele fez inspirado no Salmo 108.

Firme está o meu coração, ó Deus.

Cantarei, entoarei louvores

de toda a minha alma

Render-te-ei, graças entre os povos…

Porque acima dos céus

se eleva

a sua misericordia…

Para além das nuvens

muito além…..

Fui levado para além do transito de Sampa em um dia em que a minha alma queria ir além dos meus sapatos engraxados, na verdade eu precisava era olhar para os meus pés.

Eles andam tão quietos, parados demais, entende?

Outrora eles andavam muito, eram tempos em que a minha alma não se entregava ao descanso, foram tempos onde eu os vi seduzidos por sendas futeis que hoje já não me animam, confesso que a trilha do arrojado e do inovador me dão uma baita preguiça.

Para algumas coisas os meus pés andam sem pressa, sem vontade mesmo, bem indispostos. Sinto-me um bom sapato velho, como sempre nos inspirou o Roupa Nova com a composição do Cláudio Nucci,  do Mu e do Paulinho Tapajós.

 

É! Talvez eu seja
Simplesmente
Como um sapato velho
Mas ainda sirvo
Se você quiser
Basta você me calçar
Que eu aqueço o frio
Dos seus pés

Sei o quanto servi, ainda sirvo e servirei para passos e pés, mas eu preciso saber com clareza onde os meus pés serão mais formosos.

Tenho intensificado os passos na Jornada que sempre me inspirou e encantou.

Tenho voltado a andar mais em casa; procurado os pequenos encontros com velhos e novos amigos; caminhado com os profetas bíblicos, nesse semestre andado mais de perto de Amós e Oséias e mais recente e intensamente com o ex-pastor batista Lauro Bretones.

Tenho me deixado renovar pelo novo caminhar dos meus filhos com Jesus de Nazaré, pela vontade de cidadania dos Adolas na Pólis, o ativismo dos coletivos “Entre Nós” e “Espiritualidade Libertária”, a parceria dos camaradas do Ibab Adulto e do PIPA que gostam de andar pelas ruas do Peri Alto junto com a comunidade e todos e todas que servem naquele território.

Enquanto os meus sapatos eram engraxados eu ouvi a história carregada de lutos de um homem que conversa com plantas de sua pequena horta, ele gosta mais de conversar com a geniosa “comigo ninguém pode”. Sei não se ele suportaria as dores de sua alma mutilada sem a audiência atenta e generosa de suas plantinhas.

Orei/Pensei em outros lutos sobre lutos de pessoas queridas e depois voltei pra casa cantarolando “Para além das nuvens , muito além….”

 

 

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