Primeiramente……

Primeiramente

( Um salve para a rapazeada do @PrimeiraMente_)

 

Embora concorde, defenda e estimule as manifestações cidadãs por serem direitos naturais em toda sociedade decente, eu não fui em nenhuma das passeatas recentes, nem onde predominou o vermelho do fica querida e muito menos naquelas amarelas do tchau querida. Por um lado, a falta de uma autocritica corajosa do governo eleito em 2014 e dos escândalos de corrupção ligados a ele e, doutro lado, o diagnostico curto, preconceituoso e seletivo sobre corrupção, corruptos e corruptores, ambas razões terminaram justificando o meu distanciamento dessas duas mobilizações legitimas.

Os únicos que mereceram o meu fora com vontade foram os militares da ditadura que começou com o golpe de 1964.

Eu não gritei fora para nenhum dos presidentes eleitos pelo voto direto. Por mais que três deles merecessem o meu indignado saia daí imediatamente eu considerava uma grande irresponsabilidade embarcar no uso afoito do impeachment diante dos interesses do poder econômico, da fragilidade da nossa tão noviça democracia e dos instrumentos constitucionais que favorecem demais as manobras parlamentares da famigerada governabilidade.

Desejo mais do que nunca que o Brasil tenha muitas manifestações, pois o fora nesse momento faz muito sentido e atende aos conclames dos manifestantes coerentes que ainda se encontram entre os cidadãos vermelhos e os amarelos e, também, entre aqueles que gostam de outras cores e nem por isso são menos cidadãos.

Acho mesmo que aqueles que – como eu – acreditam que foi golpe e os que ainda acham que não foi podem se unir, ainda que em espaços diferentes, para lutar com mais maturidade contra a corrupção e em defesa da democracia e do voto e dos direitos constitucionais.

Seria muita ingenuidade acreditar em um protesto com uma multidão de brasileiros cantando we are the wold onde o vermelho e o amarelo se misturassem em um lindo poema utópico tupiniquim. Impossível.

Que os vermelhos e os amarelos façam as suas manifestações sem deixar de ser quem são e acreditar e defender as bandeiras que empunham, desde que não atentem contra a dignidade e os direitos de toda e qualquer pessoa humana.

As razões dos vermelhos para gritar fora não precisam ser exatamente as mesmas dos amarelos que gritam ou gritaram o mesmo grito. Penso que a luta contra a corrupção os une mesmo que não apreciem muito essa unidade.

Os amarelos que lutam contra a corrupção e afirmam que primeiro seria a querida e depois os outros queridos, devem se organizar dando continuidade aos seus protestos e manifestações com fotos do Moro e as listas das 10 medidas. Que façam isso rápido enquanto os atuais possuidores do governo não acabam de vez com a Lava-Jato como declararam em alto e bom som.

Os vermelhos que afirmam que a corrupção só foi combatida de verdade pela querida, que bradem aos quatro ventos que os atuais mandatários não têm moral para substituir a presidenta eleita democraticamente, mas que não esqueçam de focar mais no combate a corrupção, pois assim, além de gritar por um ótimo motivo, o seu indignado fora terá mais chance de lograr êxito.

Os cidadãos de amarelo têm mais facilidade em fazer as suas concentrações, pois contam com a convocatória planejada, massiva e marqueteira dos grandes meios de comunicação, com a benção do poder econômico, a simpatia dos setores conservadores da sociedade e a proteção – quase um desfile festivo de sete de setembro –  da Policia Militar.

Os cidadãos de vermelho, agora sem o apoio do governo, têm que ir para a rua juntar quarenta pessoas, risos, ao seu melhor estilo, na raça e com a cara e a coragem contando com a convocatória dos movimentos sociais organizados. Com eles a batata assa em todos os sentidos e a polícia não faz desfile, mas em nome da “ordem e decência” disfere golpes e repete táticas que desenvolveram desde o outro golpe mais militarizado.

Obvio está que só as manifestações contra a corrupção não garantirão o enfrentamento firme e permanente dos corruptos e corruptores.

Precisamos da celeridade dos guardiões da Constituição Federal, principalmente no TSE e nos TREs, em processos e meios que nos conduzam imediatamente a uma reforma politica com participação popular e as eleições gerais e diretas. Essa sim seria uma bandeira oportuna para todo brasileiro esteja ele de vermelho ou amarelo.

Aqui entre nós e antes que eu me esqueça, esses ataques exagerados e odiosos entre petistas e antipetistas já passaram de todos os limites da sanidade e civilidade. Uma ironia aqui e uma tirada com bom humor acolá, tudo bem, mas esses ataques animalescos que ainda acontecem precisam ser denunciados, resistidos ou tratados com desprezo.

Mas o que eu desejo mesmo é que todos possam escolher a sua manifestação e ir para rua em paz querendo paz e prosperidade para todos e todas sem ninguém ficar de fora.

Procuremos protestar e se manifestar bem longe dos baderneiros criminosos, principalmente daqueles que – fardados ou encapuzados – ferem e matam pessoas.

Eu que nunca sai das jornadas das manifestações e protestos contra a injustiça e opressão, volto a usar o fora com convicção e sem mesóclise:

 

Fora ……. !

Eleições gerais e diretas JÁ!

Reforma política com participação popular antes, durante ou imediatamente após as eleições! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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