Escola da Bacia e da Toalha

Entrevista concedida para a Revista Liderança Hoje em Fevereiro de 2014

Confira a matéria no Revista on-line [ https://issuu.com/lamproseditora/docs/lh_ed_1 nas páginas 25 e 26 ]

 

1 – Quanto tempo o senhor tem de ministério pastoral?

Em outubro de 2012 eu completarei 20 anos de ministério institucional batista como pastor da OPBB – Ordem dos Pastores Batistas do Brasil – SP.

Mas eu sirvo pastoralmente desde 1980.

2 – Nesses anos já passou por situações em que sua autoridade pastoral foi questionada?

Inúmeras.

Esses questionamentos aconteceram justificados por:  minha inexperiência dos primeiros anos, por não servir como marionete dos “donos da igreja”, por combater veementemente o moralismo e o fundamentalismo religiosos, por resistir às teologias da prosperidade e da confissão positiva, por questionar os modelos do movimentos de crescimento de igrejas e porque sempre rejeitei a toda mentalidade alienante e prática religiosa que em nome de Deus fere, abusa, traumatiza e infantiliza pessoas.

Mas principalmente por que ao combater tudo isso eu cometi alguns exageros.

3- Alguma vez alguém disse ao senhor que seria melhor que deixasse o pastorado ou a liderança da igreja?

Uma única vez. E foi porque eu decidi ser honesto em confessar publicamente um pecado pessoal e me submeter a uma disciplina institucional de 10 meses diante de uma comunidade que servi apaixonada e intensamente por mais de 13 anos.

4 – Por favor, relate duas boas e duas más experiências na liderança da igreja.

As más experiências:

  • No final de 1994, o meu pastor mentor adoeceu gravemente e faleceu no começo de 1995. Foi uma experiência muito dolorosa. Eu era o pastor da juventude e primeiro vice-presidente da igreja e fui escolhido para suceder o meu mentor. Foi um tempo de muito sofrimento e solidão.
  • Em 2002 eu estava no auge como líder da igreja, a minha popularidade dentro e fora do ambiente religioso alcançara altíssimos índices e eu era um pregador requisitado para encontros nacionais e internacionais. Eu não soube administrar aquele momento e terminei gostando do pináculo do templo e foi no ano de 2003 que eu me perdi completamente, iniciando assim o pior período da minha vida. Até 2010, foram 7 (sete) anos de ostracismo, muita vergonha e intenso acrisolamento.

As boas experiências:

  • O período como pastor de jovens foi inesquecível. Pensando e agindo completamente “fora da caixa” – focando em celebrações alternativas e nas modalidades esportivas – eu pude liderar um movimento de discipulado e formação de novos lideres. Foi um tempo de amor pelas Escrituras, fervor na oração e ousadia no ensino e na proclamação do Evangelho.
  • De 1998 a 2002, como pastor sênior, dei ênfase ao mentoreado, aos multiministérios, aos pequenos grupos e aos projetos de vivencia em Missão Integral – o evangelho que contempla toda pessoa e a pessoa toda em todo o lugar. Discutíamos políticas públicas e partidárias no Projeto Segunda Cidadã, lutávamos para ser uma Igreja Inclusiva – uma Igreja sem exclusão cumprindo a sua Missão e pregávamos a maravilhosa e escandalosa graça de Jesus.

5- Em sua opinião o que – na prática — pode abalar a autoridade do ministro do Evangelho?

A vaidade dos títulos, a devoção à reputação, a dependência da aprovação humana, a incoerência e a falta de transparência.

Um ministro sem autoridade é aquele que deixa a escola da “bacia e da toalha”.

 

 

Recent Posts
Contact Us

We're not around right now. But you can send us an email and we'll get back to you, asap.

Not readable? Change text. captcha txt

Start typing and press Enter to search