A minha nova tempestade

( foto compartilhada no FACE pelo camarada Ronald Valentim Gomes Sampaio )

 

Em lago muito calmo tem jacaré escondido, esse foi o pensamento profético que me surpreendeu há um ano atrás, foi um sopro de vento que anunciou o temporal em meu momento de gratidão ao Senhor pelas bençãos recebidas a as batalhas vencidas em uma longa guerra.

Em meu barco a remo de meditação eu olhei no horizonte distante e avistei uma tempestade se formando e, imediatamente, uma voz tentou me alertar de que esta seria muito mais tenebrosa do que as duras e não pequenas tempestades dos ultimos catorze anos após o tsunami, até então sem precedentes, que me abateu em 2002 e 2003.

Costumo chamar 2003 de o ano em que eu morri e toda vez que penso nisso eu cantarolo como um mantra parafraseando Belchior ” em 2003 eu morri, mas nesse ano eu não morro não”. Tudo o que aconteceu comigo nessa mega tempestade é publico e notório, com versões maldosas com requintes de crueldade e bondosas, muitas vezes com tons de ingenuidades, tudo como requer um roteiro tragicômico de um escândalo que se preze.  Não fugi do convés e lá adoeci, mas não me escondi nos porões como os ratos fazem, ao contrário, procurei enfrentar com integridade as confissões intermináveis, as disciplinas e as terríveis consequências enquanto tentava me agarrar e nadar como podia para não me afogar e nem deixar que a minha família sucumbisse. Entre outras sequelas dessa fase de minha vida, eu adoeci depressivo e engordei trinta quilos e até hoje tenho que visitar as velhas chagas para monitorar as infecções que por muitos anos insistiram em reaparecer.

A nova tempestade, aquela que parecia ser assustadora, é muito pior do que eu imaginava e está desabando todo o seu furor sobre a minha cabeça nos últimos dois meses e, com ela, novas feridas se abriram e se encontraram com as antigas para conversarem. Espero sinceramente que elas se entendam. As nossas feridas conversam e saber ouvi-las pode trazer muita cura.

Enquanto o sossego não vem eu vou segurando a onda diante do proceloso mar, só por hoje, só por agora.

Sigo contando com amigos e profissionais que respeitam o meu solo sagrado.

Sigo com as mãos nos remos do meu pequeno barco, vou encarar essa tormenta, a maior até agora, entrando com tudo nessa noite escura da minha alma, sabendo que Ele está em algum lugar nesse furação. Que o meu desejo por vê-Lo e encontra-Lo seja bem maior até do que ver a tempestade ir embora.

Mas todos nós temos duas certezas sobre as tempestades, uma é que elas sempre chegam e a outra é que elas sempre vão embora.

Que eu a aproveite para conhecer melhor a Jesus de Nazaré e sair dela mais parecido com Ele.

Cantei hoje pela manhã a minha trilha sonora para temporais, lembra dele?

 

Ó Mestre, o mar se revolta, as ondas nos dão pavor!
O céu se reveste de trevas, não temos um salvador!
Não se Te dá que morramos? Podes assim dormir,
Se a cada momento nos vemos já prestes a submergir?

“As ondas atendem ao Meu mandar: Sossegai!
Quer seja este revolto mar,
A ira dos homens, o gênio do mal,
Tais águas não podem a nau tragar,
Que leva o Senhor, Rei do céu e mar,
Pois todos ouvem o Meu mandar:
Sossegai! Sossegai!
Convosco estou para vos salvar;
Sim, sossegai.”

 

 

Recent Posts
Contact Us

We're not around right now. But you can send us an email and we'll get back to you, asap.

Not readable? Change text. captcha txt

Start typing and press Enter to search